A equipa está formada: 43 engenheiros portugueses começam a construir a API aberta de Portugal
De 169 candidaturas, seleccionámos os 43 melhores developers do país. Com 160+ skills técnicas, uma arquitectura definida e 9 bridges já a funcionar, o projecto PT Data Open API deixou de ser uma proposta e passou a ser um produto. Este é o primeiro passo concreto para dar a Portugal a infraestrutura digital que a era da IA exige.
43 developers de todo o país juntam-se para construir a infraestrutura digital aberta de Portugal.
169
Candidaturas
43
Seleccionados
9
Bridges activos
160+
Skills técnicas
O que aconteceu
Há duas semanas publicámos uma proposta para a criação de uma API governamental aberta. A resposta do Estado foi o silêncio habitual. A resposta da comunidade tecnológica portuguesa foi o oposto: 169 pessoas inscreveram-se como voluntárias em menos de 10 dias. Engenheiros, designers, juristas, lobbyistas, gestores de projecto e especialistas em dados.
Hoje, os primeiros 43 developers receberam o convite para o Slack da equipa. São os mais experientes: 14 principal engineers, 13 staff, 16 senior. Cobrem Go, Rust, Python, TypeScript, Java, Kotlin, Swift. PostgreSQL, Redis, Kafka, Kubernetes, Docker, Terraform, AWS, GCP, Azure. Temos até um especialista em LLM/RAG para parsing automático de documentos governamentais.
As linguagens e tecnologias da equipa:
A arquitectura: uma base de dados central como fonte de verdade
O problema principal dos dados públicos em Portugal não é a falta de dados -- é a falta de uma camada unificada que os sirva de forma fiável, rápida e consistente. Cada ministério tem os seus sistemas, muitos deles em SOAP, alguns em PDFs, outros em portais que caem regularmente. A nossa solução: uma base de dados PostgreSQL central que funciona como fonte de verdade, protegida de ambos os lados.
Camada 1: Bridges
Cada fonte governamental (DGEG, SNS, IPMA, INE, DGAEP, iAP) tem um bridge independente que extrai, normaliza e valida os dados antes de os escrever na base de dados. Se uma fonte muda o formato ou cai, apenas esse bridge é afectado -- a API continua a servir dados.
Camada 2: Source of Truth (PostgreSQL)
A base de dados central não aceita acessos externos directos. Todos os dados são versionados temporalmente e têm um audit log imutável. Com Redis à frente, os endpoints mais pedidos respondem em menos de 1 milissegundo. Deduplicação automática impede dados repetidos.
Camada 3: API Pública
REST /v1/*, GraphQL, webhooks e SDKs para npm e pip. API keys por aplicação, rate limiting por tier, e documentação OpenAPI interactiva. Nunca toca nas fontes governamentais directamente -- lê sempre da cache ou da base de dados.
Latência: antes vs depois
Porquê agora: a janela da IA
Estamos a viver a maior revolução de produtividade desde a electricidade. Modelos de linguagem conseguem hoje analisar orçamentos, comparar legislação, detectar anomalias fiscais e gerar relatórios -- mas apenas se tiverem acesso estruturado aos dados. Um PDF do Diário da República não alimenta um agente de IA. Uma API com dados validados, versionados e em JSON, sim.
Os países que tiverem dados públicos acessíveis por API vão ter uma vantagem competitiva brutal na era da IA. A Estónia já o faz desde 2001 com o X-Road. O Reino Unido tem o GOV.UK. Singapura tem o SingPass e o MyInfo. Portugal tem PDFs, portais SOAP e bases de dados dos anos 90. Cada dia que passa sem uma API aberta é um dia em que Portugal fica mais para trás.
O que uma API aberta permite na era da IA:
O valor para Portugal
Portugal gasta milhares de milhões em administração pública todos os anos. Muito desse custo é burocracia que existe porque os sistemas não comunicam entre si. Um cidadão que pede um atestado de residência tem de ir a uma junta de freguesia porque não há API que permita verificar a morada automaticamente. Uma empresa que precisa de certidões comerciais espera dias porque o sistema de justiça não tem endpoints REST.
A nossa estimativa anterior de 4 a 6 mil milhões de euros por ano em poupanças mantém-se. Mas o valor real não é apenas a redução de custos -- é a criação de valor. Uma API aberta é uma plataforma. E plataformas geram ecossistemas. Quando a Estónia abriu os seus dados, nasceram centenas de startups que criaram emprego, exportaram serviços e aumentaram a produtividade do país inteiro.
Produtividade
Automatizar interacções com o Estado que hoje demoram dias. Menos filas, menos papel, menos tempo perdido.
Competitividade
Atrair empresas tech que precisam de dados estruturados. A Estónia, Singapura e a Suíça já competem neste eixo.
Transparência
Dados públicos acessíveis a todos. Jornalistas, investigadores e cidadãos podem fiscalizar o Estado com dados reais.
Soberania Digital
Dados portugueses em infraestrutura portuguesa. Open source, auditável, sem dependência de fornecedores estrangeiros.
O que vem a seguir
A equipa está formada. O Slack está activo. A arquitectura está definida. Os primeiros 9 bridges já funcionam. Agora começa o trabalho real:
A ideia é ser rápido. Menos reuniões, mais código. PRs pequenos, merges rápidos. Cada developer escolhe a área onde quer contribuir -- endpoints de dados, acções programáticas, autenticação, infraestrutura ou frontend. Trabalhamos ao nosso ritmo, mas com urgência: Portugal não pode esperar mais.
Como podes ajudar
Se és developer e não foste seleccionado nesta primeira vaga, mantém-te atento. Vamos alargar a equipa à medida que definimos mais endpoints. Se não és developer, há outras formas de contribuir:
"Não pedimos autorização para inovar. Pedimos dados para construir. Se o Estado não os disponibiliza, nós vamos buscá-los. Open source, transparente, para todos. Este é o primeiro passo. E já não estamos sozinhos."
-- PTdata.org