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OPEN SOURCEMARCO16 de fevereiro de 20268 min de leitura

A equipa está formada: 43 engenheiros portugueses começam a construir a API aberta de Portugal

De 169 candidaturas, seleccionámos os 43 melhores developers do país. Com 160+ skills técnicas, uma arquitectura definida e 9 bridges já a funcionar, o projecto PT Data Open API deixou de ser uma proposta e passou a ser um produto. Este é o primeiro passo concreto para dar a Portugal a infraestrutura digital que a era da IA exige.

Equipa de developers a colaborar no projecto Open API

43 developers de todo o país juntam-se para construir a infraestrutura digital aberta de Portugal.

169

Candidaturas

43

Seleccionados

9

Bridges activos

160+

Skills técnicas

O que aconteceu

Há duas semanas publicámos uma proposta para a criação de uma API governamental aberta. A resposta do Estado foi o silêncio habitual. A resposta da comunidade tecnológica portuguesa foi o oposto: 169 pessoas inscreveram-se como voluntárias em menos de 10 dias. Engenheiros, designers, juristas, lobbyistas, gestores de projecto e especialistas em dados.

Hoje, os primeiros 43 developers receberam o convite para o Slack da equipa. São os mais experientes: 14 principal engineers, 13 staff, 16 senior. Cobrem Go, Rust, Python, TypeScript, Java, Kotlin, Swift. PostgreSQL, Redis, Kafka, Kubernetes, Docker, Terraform, AWS, GCP, Azure. Temos até um especialista em LLM/RAG para parsing automático de documentos governamentais.

As linguagens e tecnologias da equipa:

React19
Docker17
Python16
TypeScript15
PostgreSQL14
Node.js14
JavaScript13
Java13
Kubernetes12
Go11
AWS7
Rust4

A arquitectura: uma base de dados central como fonte de verdade

O problema principal dos dados públicos em Portugal não é a falta de dados -- é a falta de uma camada unificada que os sirva de forma fiável, rápida e consistente. Cada ministério tem os seus sistemas, muitos deles em SOAP, alguns em PDFs, outros em portais que caem regularmente. A nossa solução: uma base de dados PostgreSQL central que funciona como fonte de verdade, protegida de ambos os lados.

Camada 1: Bridges

Cada fonte governamental (DGEG, SNS, IPMA, INE, DGAEP, iAP) tem um bridge independente que extrai, normaliza e valida os dados antes de os escrever na base de dados. Se uma fonte muda o formato ou cai, apenas esse bridge é afectado -- a API continua a servir dados.

Camada 2: Source of Truth (PostgreSQL)

A base de dados central não aceita acessos externos directos. Todos os dados são versionados temporalmente e têm um audit log imutável. Com Redis à frente, os endpoints mais pedidos respondem em menos de 1 milissegundo. Deduplicação automática impede dados repetidos.

Camada 3: API Pública

REST /v1/*, GraphQL, webhooks e SDKs para npm e pip. API keys por aplicação, rate limiting por tier, e documentação OpenAPI interactiva. Nunca toca nas fontes governamentais directamente -- lê sempre da cache ou da base de dados.

Latência: antes vs depois

Preços de combustíveis (DGEG)2-4s<10ms
Lista de hospitais (SNS)1-3s<10ms
Dados históricosImpossível<50ms
Fonte em baixoErro 500Dados servidos

Porquê agora: a janela da IA

Estamos a viver a maior revolução de produtividade desde a electricidade. Modelos de linguagem conseguem hoje analisar orçamentos, comparar legislação, detectar anomalias fiscais e gerar relatórios -- mas apenas se tiverem acesso estruturado aos dados. Um PDF do Diário da República não alimenta um agente de IA. Uma API com dados validados, versionados e em JSON, sim.

Os países que tiverem dados públicos acessíveis por API vão ter uma vantagem competitiva brutal na era da IA. A Estónia já o faz desde 2001 com o X-Road. O Reino Unido tem o GOV.UK. Singapura tem o SingPass e o MyInfo. Portugal tem PDFs, portais SOAP e bases de dados dos anos 90. Cada dia que passa sem uma API aberta é um dia em que Portugal fica mais para trás.

O que uma API aberta permite na era da IA:

Agentes de IA que consultam dados fiscais e de saúde em tempo real para assistir cidadãos
Startups que constroem serviços financeiros sem raspar portais ou pedir PDFs
Jornalistas que detectam automaticamente anomalias no orçamento de estado
Investigadores que cruzam dados de saúde, educação e criminalidade em segundos
Empresas que integram dados governamentais nos seus produtos sem intermediários
Municípios que automatizam relatórios e reduzem burocracia interna

O valor para Portugal

Portugal gasta milhares de milhões em administração pública todos os anos. Muito desse custo é burocracia que existe porque os sistemas não comunicam entre si. Um cidadão que pede um atestado de residência tem de ir a uma junta de freguesia porque não há API que permita verificar a morada automaticamente. Uma empresa que precisa de certidões comerciais espera dias porque o sistema de justiça não tem endpoints REST.

A nossa estimativa anterior de 4 a 6 mil milhões de euros por ano em poupanças mantém-se. Mas o valor real não é apenas a redução de custos -- é a criação de valor. Uma API aberta é uma plataforma. E plataformas geram ecossistemas. Quando a Estónia abriu os seus dados, nasceram centenas de startups que criaram emprego, exportaram serviços e aumentaram a produtividade do país inteiro.

Produtividade

Automatizar interacções com o Estado que hoje demoram dias. Menos filas, menos papel, menos tempo perdido.

Competitividade

Atrair empresas tech que precisam de dados estruturados. A Estónia, Singapura e a Suíça já competem neste eixo.

Transparência

Dados públicos acessíveis a todos. Jornalistas, investigadores e cidadãos podem fiscalizar o Estado com dados reais.

Soberania Digital

Dados portugueses em infraestrutura portuguesa. Open source, auditável, sem dependência de fornecedores estrangeiros.

O que vem a seguir

A equipa está formada. O Slack está activo. A arquitectura está definida. Os primeiros 9 bridges já funcionam. Agora começa o trabalho real:

Migrar os 9 bridges existentes para escreverem na base de dados central com validação
Expor os primeiros endpoints versionados: /v1/combustiveis, /v1/saude, /v1/meteorologia
Documentação OpenAPI interactiva para developers externos
Sistema de API keys e rate limiting
Novos bridges para dados que ainda não temos: orçamento, fiscalidade, municípios, empresas

A ideia é ser rápido. Menos reuniões, mais código. PRs pequenos, merges rápidos. Cada developer escolhe a área onde quer contribuir -- endpoints de dados, acções programáticas, autenticação, infraestrutura ou frontend. Trabalhamos ao nosso ritmo, mas com urgência: Portugal não pode esperar mais.

Como podes ajudar

Se és developer e não foste seleccionado nesta primeira vaga, mantém-te atento. Vamos alargar a equipa à medida que definimos mais endpoints. Se não és developer, há outras formas de contribuir:

Partilha este artigo com quem trabalha no Estado ou na tecnologia
Inscreve-te como voluntário em ptdata.org/projetos/open-api
Se tens contactos políticos, fala-lhes desta iniciativa
Se és jornalista, investiga e escreve sobre o custo da falta de digitalização

"Não pedimos autorização para inovar. Pedimos dados para construir. Se o Estado não os disponibiliza, nós vamos buscá-los. Open source, transparente, para todos. Este é o primeiro passo. E já não estamos sozinhos."

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